Seguidores

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Hoje senti saudades...

Hoje eu senti saudade de ti e de te amar de novo, como um dia eu te amei. Senti falta daquela ousadia, daquela urgência de viver, de tudo que aprendi depois que te conheci. Senti falta que eu fazia, e do que tu sempre representou pra mim. Senti falta de amar intensa e desmedidamente, como eu te amei desde o primeiro dia. Eu sabia que um dia iria sentir isso e que seriam minhas as lágrimas que lavariam as feridas que um amor assim deixa; sabia que o TEU amor foi frágil e mentiroso, e tinha tambem um tempo de validade pré-determinado; sabia que o dia do sofrimento por não te ter por perto chegaria, e que com isso eu mesma me perderia, mas em momento algum me deixei amedrontar. E que saudade justamente justamente na lembrança dessa coragem que eu tive de amar você! Mesmo com todos os riscos, eu achava que nunca iria acabar esse amor, nunca me pareceu ameaça. Pra mim, ele era que eu sempre sonhei viver, era a oportunidade de viver a mim mesma e de conhecer a profundidade do meu coração. Esse amor era um presente de enormes laços vermelhos que eu desembrulhava todos os dias com a mesma emoção, era uma mistura de tudo um pouco do que eu nutria. Eu queria aquela capacidade incrível que tinha de sonhar junto, de aliar-me de olhos fechados às suas – que depois se tornaram nossas – fantasias. Que saudade de ser de novo aquela mulher simples, de alma escancarada, de corpo sempre pronto a se deixar explorar por você. Faz muita falta sentir aquela vontade que não tinha hora e nem lugar, aquela ansiedade pra te ver, das pernas trêmulas quando te via chegando e moles depois de cada vez que faziamos amor. Eu pisava nas nuvens por você, e até disso eu sinto falta. E é sufocante a saudade que tenho da nossa vida mesmo que fosse as vezes tumultuadas, que parecia que ia do ceu ao  inferno.  Hoje senti falta até do romantismo que brotava em mim nessa época e que hoje não consigo mais recuperar. Eu te amei de um jeito tão meu, e tão franco, e tão inteiro, e que nunca mais vou conseguir com ninguém. Eu te amei em todos os momentos, de perto e de longe, admirando  e odiando, um mixto de sentimentos, que até hoje não consigo esquecer. E agora, contabilizando esses quase 30 anos que vivemos juntos, que se transformaram em ficar sozinha, hoje distanciam tanto daquela que eu fui um dia, e vou acumulando saudades tão arraigadas que só me fazem supor que nessa fase em que eu te amei tanto, foi a que, sem dúvida, mais amor me dei. Esse amar tão completamente, sem me preocupar com as ameaças iminentes em nome apenas do que esse amor me deixaria de herança – a história, o aprendizado, a lembrança – eu desaprendi. Hoje me sinto velha e cansada, desconfio de todos e virei refém da solidão e do medo de amar, compartilhado por tantos corações machucados. Nada do que eu tenho visto ou vivido é tão forte que faça valer a pena outro risco, outra aventura, outra entrega dessas como a que eu só experimentei com você. Hoje eu sou normal até demais, moderada demais, irritante demais, prudente demais, de um jeito que eu nem sabia e nem queria ser quando tinha você por perto. Juntos, éramos incomparáveis e achei que morreriamos velhinhos e juntos. E cada vez que eu mergulho na melancolia desse sonho que acabou, eu lembro da falta imensa e incorrigível que você e o amor que eu lhe tinha, o romantismo que eu nutria, me fazem. E é nessa hora que eu morro de saudade de mim, e da minha INGENUIDADE.