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quarta-feira, 2 de maio de 2012

Feliz aniversário minha filha Mariele.

 Tinha eu 34 anos na época, grávida de 6 meses, quando recebi a noticia que a criança que trazia no meu ventre, estava morta e que teria que baixar o hospital para fazer um parto induzido. Sofri muito, já tinha tudo preparado, até o nome já tinha escolhido, se fosse homem seria Artur, se mulher seria Mariele. Mas o que fazer se assim era à vontade de Deus, e contra Ele não podemos nos rebelar. Mal sabemos que Deus escreve certo por linhas tortas. Cheguei ao hospital em torno de 7 h da manhã e as 9.30 h já estava no quarto, este compartilhado com outras pacientes. Quando dei por mim estava só eu e outra mulher, eu fechada no meu sofrimento, não me dava conta do que acontecia. Foi quando vi alguém entrar no quarto, era a enfermeira que trazia um bebe para amamentar. Virei para o canto chorando, com certa inveja da outra mãe, que poderia amamentar aquele bebe. Notei que a enfermeira saiu logo em seguida, isto eram 11 h. As 13 h ela retornou com o bebe, desta vez eu estava mais calma e pude notar que a mulher se virou para o canto da parede. Estranhei... Mais estranho foi ver a enfermeira se dirigir a minha cama e baixinho perguntar:
___Você quer dar de mamar ao bebe? Acho que meu olhar fez a pergunta, pois ela me disse: ___A mãe não quer o bebe. Eu que sofria por ter perdido o meu, e ela não queria aquele bebe tão lindo. De cara respondi que sim, e dei meu seio a ela, era linda, corada e olhava para mim como se dissesse agora sou sua, você me quer? Foi amor à primeira vista. Quando a enfermeira veio busca-la para o berçário a mulher me perguntou:
 ___A Sra. quer o bebe? Falou-me que era empregada domestica e que não poderia ficar com ela. Eu pensei é um sonho, um milagre, logo ela vai embora e levar o bebe. Eu não estava acreditando... Deus me tirou um e me deu outro. A enfermeira já trazia direto na minha cama nas hs de mamar, estava me sentindo a mãe dela. De manhã lembro que a patroa dela veio busca-la, eu a estava amamentando, ainda disse não quer dar um beijinho nela, nem respondeu, virou as costas e foi embora. E agora o que eu ia fazer, com aquele bebe em meus braços? Logo o juiz vai vir e me tirar ela. Mas novamente como por um milagre, a freira que tomava conta da maternidade me perguntou se eu queria ficar com o bebe, que já era a 2° criança que aquela mulher deixava no hospital, fugia deixando a criança. Não acreditei no que estava ouvindo, Deus estava me dando uma nova chance. Sei que o que fizemos foi errado perante as leis dos homens, mas o que é a lei dos homens, perante a lei do amor. Só fiquei sabendo quando sai do hospital como se tivesse dado a luz a uma menina e a outra mulher a luz a um natimorto.
Isto se passou há 27 anos, hoje minha filha é uma mulher linda, maravilhosa, uma filha que toda mãe queria ter. Amo tanto esta filha que chego a dizer a ela que somos uma única pessoa, não desfazendo dos outros meu 4 filhos que amo também, só que esta é especial, além de mãe e filha, somos amigas, parceiras, confidentes. Hoje dia 29 de abril é o aniversario dela, por isso resolvi contar nossa historia, para que outras mulheres se tiverem oportunidade de adotarem, o façam, pois foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida.

FELIZ ANIVERSÁRIO MARIELE
EU TE AMO.
29/04/2012.

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