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quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Carta de despedida.

                                                                Pelotas, 25 de julho de 1994.
                                                          
                                               Minha filha Ana Luisa.
            Quando leres esta carta, talvez já estejas viajando e junto contigo levarás um pedaço de mim, um pedaço do meu coração, pois fazes parte dele. Quero desabafar um pouco da angustia, da alegria, tristeza, saudade, enfim de tudo que vou sentir e já estou sentindo longe de ti. Sei que estou sendo egoísta, mas toda mãe o é, e eu mais do que todas, sou mais ainda... Ao mesmo tempo em que quero a tua felicidade, também te quero junto a mim, mas quase nunca se tem tudo o que se quer, gostaria de ter o poder, para te dar tudo o que mereces e bem o mereces, mas como o nosso destino só Deus sabe, te deixo nas mãos Dele. Tenho que pôr na minha cabeça, que é para o teu bem, que é para tua felicidade, e se o é, eu também serei feliz.
            Ninguém melhor do que eu sei, que o quê fazes é o certo, que na nossa vida a gente tem que lutar muito. Eu também já tive que partir, tive que lutar para ser feliz, e quem sabe hoje tu consigas entender melhor e ate me perdoar por quando tive que optar pela minha felicidade, mesmo que para isto tive que magoar as pessoas que me amavam, chega um dia na vida da gente, que tem que se passar por cima de muita coisa para ser feliz. Tenho certeza que és forte, que vais vencer e que ainda vou ter muito orgulho de ti.
            Nunca pensei que um dia eu teria que passar por isto, sempre pensei que eu era como uma galinha, com os pintinhos embaixo das asas, só que esqueci que os pintinhos crescem e viram galos e galinhas também. Sonhei que um dia te casarias, que terias filhos e que eu cuidaria deles, e que na minha volta eles me chamando de vovó, que eu ficaria velhinha com vocês todos na minha volta, mas enfim eram sonhos, que os anos foram passando, tu crescendo, não casaste, não tivesses filhos e não fui vovó, e hoje partes com os teus sonhos que não são os meus. Quero de coração que teus sonhos se realizem, já que os meus ficaram no caminho. Quem sabe longe os meus sonhos não se encontrem com os teus.
            Quando lembro de ti, não consigo te imaginar uma mulher adulta, te vejo sempre aquela menininha que um dia eu tive, mesmo com tanto sacrifício, com tanta magoa do meu passado e até vergonha. Vergonha por um lado, mas por outro com orgulho, pois de toda aquela sujeira, que me restou foi tu, que é a única coisa mais importante de minha vida.
            Peço-te perdão, por tudo que te magoei, que te fiz sofrer, mas lembre sempre, que te amo e que fico torcendo por ti. Quando te sentires só, com saudade, me telefona, me escreve todos os dias, todas as semanas, a qualquer hora do dia ou da noite, sabes que podes contar comigo, nem que seja só para te escutar.
            Gostaria de escrever mais coisas, mas parece que tranca uma coisa aqui dentro, um nó na garganta, que só me resta chorar... Alias devo chorar, mas de alegria, não de tristeza. Desejo-te toda a sorte do mundo, que te encontres e que sejas feliz. Amo-te.
                        Tua mãe.    Isa





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