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domingo, 21 de agosto de 2011

Todos os dias morre um AMOR.

Todos os dias morre um amor.
Quase nunca percebemos, mas todos os dias morre um amor.
Às vezes de forma lenta e gradativa, quase indolor, após anos e anos de rotina.
Às vezes melodramaticamente, como nas piores novelas mexicanas, com direito a bate-bocas vexatórios, capazes de acordar o mais surdo dos vizinhos.
Morre em uma cama de motel ou em frente à televisão de domingo.
Morre sem beijo antes de dormir, sem mãos dadas, sem olhares compreensivos, com gosto de lágrima nos lábios.
Morre depois de telefonemas cada vez mais espaçados, cartas cada vez mais concisas, beijos que esfriam aos poucos, ausência cada vez maior.
Morre da mais completa e letal inanição.

Todos os dias morre um amor.
Às vezes com uma explosão, quase sempre com um suspiro.
Todos os dias morre um amor, embora nós, românticos mais na teoria que na prática, relutemos em admitir.
Porque nada é mais dolorido do que a constatação de um fracasso.
De saber que, mais uma vez... um amor morreu.
Porque, por mais que não queiramos aprender, a vida sempre nos ensina alguma coisa.
E esta é a lição: amores morrem.

Todos os dias um amor é assassinado.
Com o punhal do tédio.
A cicuta da indiferença.
A forca do escárnio.
A adaga da humilhação.
A metralhadora da traição.
O 38 da dissimulação.
A bomba da injustiça.
A radioatividade lenta e gradual do pré-julgamento.
A sacola de presentes devolvidos.
Os ponteiros tiquetaqueando no relógio onde o silêncio insuportável depois de uma discussão.
Todo crime deixa evidências.
Todos nós fomos assassinos um dia.
Há aqueles que, como o Lee Harvey Oswald, se refugiam em salas de cinema vazias.
Ou preferem se esconder debaixo da cama, ao lado do bicho papão.
Outros confessam sua culpa em altos brados, e fazem de pinico os ouvidos de infelizes ouvintes-amigos e/ou garçons.
Há aqueles que negam, veementemente, participação no crime, e buscam por novas vítimas em salas de chat, barzinhos, ou, pistas de danceteria, sem dor ou remorso.
Os mais periculosos aproveitam sua experiência de criminosos para escrever livros de auto-ajuda, com nomes paradoxais como "O Amor Inteligente", ou romances açucarados de banca de jornal, do tipo "A Paixão Tem Olhos Azuis", difundindo ao mundo ilusões fatais aos corações sem cicatrizes.