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quinta-feira, 10 de março de 2011

Só hoje deixa


Só hoje deixa eu te lembrar que nada é pra sempre. Só hoje deixa eu te dizer que as coisas têm o seu inevitável preço. Só hoje, por favor, me deixa ser tão banal assim. Deixa a cabeça no meu colo. Deixa os cabelos nos meus dedos. Deixa, mansamente, nas minhas mãos os teus medos.

Deixa eu te lembrar que isso é caminho. Que essas pedras, que essas pontes quebradas, que esses espinhos enferrujados, que essa cerca sem rosas, que tudo isso, enfim, é posto de passagem. Só hoje, deixa eu te mentir que o futuro é bom. Deixa eu te dizer que o destino ainda não veio. Deixa eu te fazer imaginar que lá tudo é dourado como em pôr de sol.

Deixa eu te fechar os olhos claros, te beijar a boca leve, te ninar feito criança minha. Deixa eu te sussurrar que todas as outras vozes são só maldade imensa. Deixa eu te provar que elas não podem te ferir. Deixa eu te mostrar que esses escorpiões morrem do próprio gozo.

Deixa eu te mostrar que nas tuas mãos a linha da vida é mais dourada. Deixa eu te apontar que tuas estrelas são as mais brilhantes. Brilho que ofusca e cega, temem elas.

Deixa eu te contar que invejam os teus segredos, que são velhas e a elas não cabem mais tuas maçãs. Deixa eu te enganar dizendo que isso passa. Deixa eu te seduzir com promessas de glória. Deixa, só hoje, eu enxugar teu pranto.

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