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domingo, 9 de janeiro de 2011

Saudades...




"Saudade não se teoriza, se sente.É presença da ausência. 
Mas há saudade e saudade. Saudade cruel e saudade doce, boa. 
A saudade cruel é aquela de quem está longe.
Do que vislumbramos, conhecemos até, mas não podemos ter dentro de nós. 
Essa dói, machuca, tira o sono, maltrata, rouba o riso, modifica o olhar, entristece. 
Mas não é saudade, de fato, é falta. Falta do que, ou de quem não se tem. 
Saudade é substantivo que se transforma em advérbio, intensidade o sentir.
É sensação, é plenitude, é lembrança. 
E somos afortunados.
Não há em outra língua verbete para traduzir esse sentimento.
Saudade boa, saudade, saudade, essa é doce. 
Dói? Dói sim, mas não é cruel, é uma dorzinha boa de se sentir, 
Leve, que enche o peito, faz sonhar, sorrir, elevar o olhar para o passado, 
Gera suspiros e é, como afirmei, presença da ausência.
Nada torna mais presente o que está ausente do que sentir saudades. 
Saudade é vida. 
Só morremos quando esquecidos, 
Quando não somos mais ausentes em ninguém 
E isso quer dizer que não existimos mais em nenhuma memória. 
Saudade boa é consciência de algo ou alguém. 
Não sentimos nunca saudades do que não nos emocionou, 
Provocou sorrisos, prazer, amor, êxtase, sentimentos verdadeiramente bons. 
E as músicas, os poemas, os textos, as canções, 
Não servem para outra coisa a senão para traduzir o que não conseguimos definir; 
Para falar por nós, ratificar o que sentimos. 
Então, se por acaso lhe vem à mente uma música antiga ou atual, brega ou moderna, 
Se uma paisagem ou um céu estrelado, uma imagem do passado ou de alguém, lhe surgir na mente;
Ou se um trecho de um poema, de um texto qualquer, lhe provocar um suspiro, 
E de repente você sentir saudades. 
Não se espante, nem se entristeça. Aproveite. 
Agora se alguém disser que sente saudades de você, comemore duplamente. 
Triste é não ter do que ou de quem sentir saudades. 
E mais triste ainda é não deixar saudades em ninguém."

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